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Memória do Capitão Barros Basto PDF Print E-mail
Thursday, 22 September 2011 09:42
O II Festival Internacional da Memória Sefardita evocou esta quarta-feira, em Trancoso, a memória e o labor do Capitão Barros Basto, conhecido como o “Apóstolo dos Marranos”, descendentes dos judeus perseguidos pela Inquisição, reclamando Justiça e a sua reabilitação após a separação do exército de que foi alvo. O bastonário da Ordem dos Advogados, António Marinho Pinto, conterrâneo do capitão fundador da “Obra do Resgate” e da Sinagoga do Porto explicou estar presente naquela qualidade e sobre tudo na de “cidadão” classificando o processo que levou à separação do homenageado, falecido em 1961, de «iníquo e injusto» sublinhando que se trata de uma situação «escandalosa». Aliás, esta foi a opinião generalizada expressa pelo presidente da Entidade Turismo Serra da Estrela, Jorge Patrão, pela jornalista e escritora Miriam Assor, pelo Presidente da Comunidade Judaica do Porto, Ferrão Filipe, pelo jurista Francisco Almeida Garrett, pelos professores, historiadores e investigadores Jorge Martins e Elvira Mea e por Elisha Salas, rabino da Comunidade Judaica de Belmonte.»


«Marinho Pinto sublinhou que a viúva do capitão Barros Basto tenha pedido «justiça» no período democrático pós-25 de Abril e que tal tenha sido recusado, o que lamentou. Classificou o caso do capitão Barros Basto como o “Caso Dreiffus português” expressando que, no caso da França «fez-se Justiça enquanto que em Portugal isso não aconteceu até hoje». O Presidente da Comunidade Judaica do Porto, Ferrão Filipe, chamou a atenção que, aquando do estabelecimento da Inquisição (no reinado de D. João III, em 1536), uma terça parte da população portuguesa era judia e que foram os seus descendentes que o capitão Barros Basto quis fazer retornar «à sua identidade Judaica». Foi ainda interveniente Isabel Lopes, neta do Capitão Barros Basto, que evocou a obra e o trabalho desenvolvido pelo fundador da “Obra do Resgate”. Isabel recordou ainda os percursos que o avô realizou em busca dos “marranos” sobretudo na Beira Interior e Trás-os-Montes, bem como a criação das sinagogas de Bragança, Pinhel e Covilhã. O capitão Artur Carlos de Barros Basto faleceu em 1961, sem ter sido reabilitado pelo Exército Português da decisão de 1943 do Ministro da Guerra que o exonerou das suas funções de oficial, por ser judeu e um activo defensor da tolerância religiosa, e dos “Marranos” em particular. A sua reabilitação, apesar de vários pedidos, continua por acontecer. No âmbito do Festival foi inaugurada no Convento dos Frades em Trancoso, uma Exposição do Espólio do Capitão Barros Basto.»

Fonte: Guarda Digital.